As
palavras cruzam o espaço entre meus pensamentos em milésimos de
segundos. São jatos de fel espalhados pelas paredes de uma mente
ardorosamente utópica, doce mas ainda ressequida por sofrimentos
antigos. A dor é iminente, toma forma e sabores distintos que teimam em
derreter em minha língua tal como ouro no fogo. Incerteza, incapacidade
de agir, de ser, de continuar vivendo. Escrever consigo. E é o que
preciso fazer, para não enlouquecer.
Por que esse líquido azul
chamado "ESPERANÇA" teima em ficar brilhando no fundo de minha garganta?
Tentei engolir junto com a fé e a crença, mas agarrou-se de tal forma
criando uma ferida, incurável, sufocando-me... novamente. Esfrego
impacientemente com a escova mas a língua continua manchada. Vou acabar
me rendendo a esse brilho de onde vejo emanar o pouco de força que ainda
me faz prosseguir. Escreverei. Não com o intuito de que leiam, mas para
que, no futuro, saibam exatamente como sinto-me AGORA.
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